Antes mesmo do surgimento dos tradicionais e consagradíssimos Haras Valente, de Luiz Gurgel do Amaral Valente, e do Haras Paraná de Alô Ticoulat Guimarães e Farid Surugi, ambos fundados em 1944 em nosso Estado; – os irmãos MANOEL MEHL e JULIO MEHL já estavam criando seus cavalos de corrida. Antigos criadores avulsos do final da década de 30; em 20 de setembro de 1943 fundaram oficialmente o Haras Uberaba.

Batizado dessa forma em homenagem ao bairro onde estava localizado em Curitiba, esse haras ficava às margens da Avenida Salgado Filho, num cenário totalmente diferente dos dias atuais.

MANOEL MEHL (Arquivo).

Manoel e Júlio Mehl, turfistas bem ativos nos tempos do Hipódromo do Guabirotuba, iniciaram na criação com a produção voltada para cavalos mestiços, comuns nos primórdios da criação paranaense. Criaram bons mestiços na época – como ALFILER, filho do puro sangue Maciste na mestiça Correnteza, que foi grande destaque na época do “Prado Velho”. Com o tempo, a criação do puro sangue inglês, mesmo com plantel inferior a 10 reprodutoras, foi ganhando espaço no Haras Uberaba.

ATUBADOR, BEIRA ALTA, COLÓN, DÉDALO foram animais de relativo destaque nos primeiros anos do haras de Manoel e Júlio Mehl.

Com poucas éguas, o Haras Uberaba usava os serviços dos reprodutores do Haras Paraná – e durante certa época foi cotista do reprodutor TWINSY-USA.

Com a importação das éguas argentinas ADRIÁTICA (1938- Fígaro-ARG e Alegrona-ARG por Siskin-ARG) e LIEBRE (1937-Last Cilleny-ARG e Liliput-ARG por Aventureiro-ARG) o Haras Uberaba deu um salto de qualidade pois essas reprodutoras produziram excelentes animais entre eles GAROTA BONITA (1952 – Fair Trader-GB e Adriática-ARG) e HARMONY (1953 – Fair Trader-GB e Liebre-ARG).

GAROTA BONITA, nascida em 19/09/1952, no Haras Uberaba, estreou em Campinas em 1956 com uma vitória por vários corpos, e logo foi para Cidade Jardim, onde em sua estreia venceu em 1000 metros. Após mais duas vitórias em Cidade Jardim viajou para o Tarumã aos cuidados de Avelino e Amadeu Piotto, tios do nosso conhecido e saudoso Silvio Batista Piotto.

GAROTA BONITA segura por Julio Mehl (foto: O Turfista Semanal)

No Tarumã GAROTA BONITA venceu mais oito provas. E a variação de distâncias em sua campanha chama a atenção. Estreou com vitória no GP Consagração em 3.000 metros. Na sequência baixou a distância para 2.000 metros e venceu facilmente o GP Cidade de Curitiba. Baixou de distância novamente vencendo o GP Jockey Club de São Paulo estabelecendo novo recorde para os 1500 metros. Logo a seguir estabeleceu novo recorde para a distância de 1000 metros do GP Jockey Club Brasileiro. E para confirmar sua grande categoria, outra vez, apenas 40 dias depois, num salto de distância, marcou novo recorde para a distância de 2.400 metros do GP Bento de Menezes. Uma CRAQUE eleita o melhor animal de 1956 e considerada uma das melhores éguas em todos os tempos do turfe paranaense.

Na reprodução GAROTA BONITA produziu no Haras Uberaba apenas duas filhas que correram: VALERINE (1969 – por Twinsy-USA) – e UIDAH (1968 – por Hurcade), que juntas venceram 10 provas.

HARMONY, por sua vez, nascida em 09/09/1953,  foi “simplesmente” o terceiro animal Tríplice Coroado do turfe paranaense e o primeiro no novo Hipódromo do Tarumã (1956). Égua de muita categoria venceu outras 11 provas clássicas no Tarumã. Outra CRAQUE com todas as letras em  “caixa alta”, que colocou seu nome na relação das melhores éguas de todos os tempos do Tarumã! Infelizmente HARMONY morreu em dezembro de 1957, decorrente de uma pneumonia, e não teve descendentes.

HARMONY vencendo o Derby Paranaense (1956) – foto – Arquivo

O Haras Uberaba, sempre com suas pequenas gerações, seguiu produzindo bons animais como VITORIANA (1969 – Quintilius e Gaia por Iror-FR) vencedora das duas primeiras provas da Tríplice Coroa Gaúcha e com 3º lugar na última prova do GP Consagração.

Em 1966 o haras foi transferido para São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba. Manoel e Julio Mehl, que inclusive foram diretores do Jockey Club do Paraná, passaram a administração do haras para DIMAS MEHL ANDRUSKO, um dos fundadores da Associação de Criadores e Proprietários de Cavalos de Corrida do Paraná, que trabalhou ativamente como cronista da Revista “O Turfista Semanal” e da “Rádio Guairacá”. Dimas é irmão do nosso conhecido amigo e cronista das “Curtas do Jornal do Turfe” – Dalton Mehl Andrusko, que, ademais, foi proprietário de alguns animais de criação do Haras Uberaba, como KI GAROTO (7 vitórias – Tarumã e Cidade Jardim) sempre com o treinamento de Silvio Batista Piotto .

DIMAS MEHL ANDRUSKO (Arquivo).

Os primeiros produtos criados nessa nova fase do Haras Uberaba foram SETEMBRO (1966 – Quintilius e Gaia por Iror-FR) – ganhador de seis provas; SIMA (1966 – Hurcade e Yatasta por Fair Trader-GB) ganhadora de oito provas e clássica em Cidade Jardim; SUCESSO (1966 – Fuji Yama e Humoristica por Victor Hugo-GB) com seis vitórias e SMIRNA (1966 – Rumor e Garota Bonita por Fair Trader-GB) com sete vitórias.

O Haras Uberaba, em suas gerações subsequentes, seguiu produzindo bons ganhadores no Tarumã, Gávea e Cidade Jardim, como TAUSENDE, UIDAH, VERÃO, VOTUPORANGA e XANTARYN.

Em 1972, com o início do segundo alfabeto, o Haras Uberaba produziu uma das éguas mais queridas e com a maior torcida do Hipódromo do Tarumã, pois possuía 11 proprietários além dos vários amigos e simpatizantes que torciam por ela. Trata-se de ANNANDALE (1972 – Indian Classic-USA e Smirna por Rumor). Essa neta da craque Garota Bonita era de propriedade do recém criado Stud Les Paxá 74, na época uma sociedade formada pelos jovens turfistas José Cid Campêlo Filho, Paulo Roberto Fernandes, Carlos Roberto Fernandes, Cid Campêlo Neto, João Guido de Castro Campêlo, Dino Bertholdi Neto, Roberto Gomes Mussi, Merlino Prestes Júnior, Luis Guilherme Gomes Mussi, Marcos Mocellin e Altivo Darcy Gubert Júnior. ANNANDALE venceu seis provas, inclusive foi ganhadora clássica no Tarumã e colocada clássica em Cidade Jardim.

ANNANDALE com seus proprietários e torcedores em 1976 – foto: Winner’s Circle – de José Cid Campelo Fº.

Nas gerações seguintes o Haras Uberaba criou BORBOTON (Campeão de pencas), CASSINE (LR em Cidade Jardim), COQUITA (Clássica com 10 vitórias), CRUCECITA (6 vitórias – ganhadora clássica no Tarumã), DOMINGUEZ (5 vitórias – clássico no Tarumã), DOGARISA (4 vitórias – finalista do GP Turfe Paranaense), DALEA (5 vitórias – clássica no Tarumã), ESQUIVADA (8 vitórias – ganhadora clássica no Tarumã), FOGO SELVAGEM (ganhador clássico no Tarumã), HARAWAY (ganhador da primeira prova da Tríplice Coroa Paranaense), HIBERNAL (6 vitórias em Cidade Jardim – clássico no Tarumã), e outros bons ganhadores.

O Haras Uberaba seguiu suas atividades até o final da década de 80, e deixou sua marca na história do turfe paranaense como um dos pioneiros da criação do Puro Sangue Inglês em nosso Estado.

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