Nascido em 1934, o empresário do setor de móveis (Divisiart Móveis Industrial e Instaladora Ltda.) – NELSON JAKUBOWSKI, também um conhecido criador de suínos do Paraná, resolveu se aventurar pela criação de cavalos de corrida na década de 70. Adquiriu as suas duas primeiras éguas no Rio de Janeiro: uma filha de Prosper e uma filha de Monterreal-URU. Trouxe as éguas ao Tarumã, para na sequência enviá-las para a reprodução, porém, na época, o surto de Anemia Infecciosa Equina se alastrava rapidamente, o que ocasionou o sacrifício da ambas, chateando por demais seu proprietário, abandonando temporariamente o que nem bem havia iniciado.

           Nelson Jakubowski

Entretanto, passados alguns anos, Nelson Jakubowski resolveu seguir em frente na implantação do HARAS VALE DA SERRA, localizado em área de 12 alqueires, no Município de Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba.

Em piquetes adequados com boas áreas de pastagens de ótima qualidade, 32 cocheiras, depósito de rações, maternidades, e demais instalações, o haras mantinha suas reprodutoras e produtos. Duas construções para os potros, inspirados na arquitetura francesa, foram implantados no haras.

A responsabilidade técnica estava a cargo do veterinário Luiz Henrique Novaes Ferreira da Costa, que comandava um quadro de aproximadamente 30 funcionários.

No início eram apenas oito a dez éguas que faziam parte do plantel do Haras Vale da Serra.

Em 1984 adquiriu o reprodutor inglês, mas com campanha inteiramente na França – HONEYVILLE-GB (1966 – Charlottesville-GB e Honey Portion-GB por Major Portion-GB) – pai do craque FITZ EMILIUS (ganhador do Derby Paulista G1, GP Ipiranga G1, Derby Carioca G1, além de 2º no GP São Paulo G1 e GP Consagração G1), e que antes de vir para o Haras Vale da Serra, já havia produzido ganhadores de 313 corridas. No Haras Vale da Serra produziu inúmeros ganhadores, como a Grupo 3 – GASSVILLE – 10 vitórias – ganhadora clássica no Tarumã (Clássico Manoel Ribas, Clássico Carlos Dietzsch, etc.) – líder de sua geração.

Com a entrada de Honneyville-GB no Haras Vale da Serra, Nelson Jakubowski foi aumentando, ano a ano, o plantel do haras, chegando a mais de 60 matrizes. Entre elas filhas de Egoismo, Karabas-GB, Kublai Khan-ARG, entre outros. Na sequência adquiriu uma área de 1.000 alqueires no Norte do Paraná ampliando ainda mais a sua criação.

         Honeyville-GB no Haras Vale da Serra

Também o reprodutor HAUT BRION (1963 – Earldom-USA e Sea Spray por Sandjar-FR) de criação do Haras Faxina foi adquirido pelo Haras Vale da Serra. Porém produziu apenas 19 produtos com destaque para BRION BLUE (10 vitórias) e CLOMENAH (clássica no Tarumã). Outro reprodutor adquirido e que ficou alojado no Haras Vale da Serra foi SAIL THROUGH-USA, que já havia produzido no Haras Pirajussara o ganhador de Grupo 1 – NARBONNE; o ganhador de Grupo 2 – ODYSSEUS e o Ganhador de Grupo 3 ROUL, entre outros. No Haras Vale da Serra produziu bons ganhadores como os clássicos no Tarumã KEY CALL SAIL, KING CIGAL SAIL, LORD CYLL SAIL, KEY SAM SAIL, LORD JOHN SAIL, LORD PHAROSWAY e outros.

Além dos seus garanhões, o Haras Vale da Serra criou filhos de diversos outros reprodutores como Upset, In Comand, Magnasco-USA, Nagami, Spoleto, Tom Playfair-FR, Cavo Doro-IRE, Derek, Kigrandi, Ladobueno, entre outros.

Dr. Murilo Nichele, Dr. Darar Willian Zraik e Dr. Ivan Deconto foram alguns dos competentes médicos veterinários que atenderam o Haras Vale da Serra.

Os potros eram domados no haras e enviados ao Hipódromo do Tarumã inicialmente para o treinador Eurico Eloi Ferreira. Na sequência o segundo gerente DILSON LOEZER ANTUNES foi promovido a treinador exclusivo do Haras Vale da Serra, e que permaneceu no cargo até o final das atividades do Haras Vale da Serra.

Os animais em treinamento de Nelson Jakubowski ocupavam, durante o ano inteiro, todos os 26 boxes disponíveis da cocheira. Quando algum cavalo tinha que entrar, um deles, que não estava correspondendo muito, era levado ao haras para descansar.

Sua primeira vitória veio com o animal EMEROT (Leoncito-ARG e Dama América por Alceste-GB) exatamente no Clássico Manoel Ribas, assumindo a liderança da geração.

EMEROT – Primeira vitória do Haras Vale da Serra

Um animal muito lembrado do Haras Vale da Serra é HESTOR (1987- Upset e Faxina por Locris-FR) – que apesar de sérios problemas nos sesamóides – foi ganhador clássico no Tarumã com 13 vitórias – 4º GP Paraná G1, 3º GP ANPC – Derby Paranaense LR. Uma história interessante é que este cavalo foi desclassificado para o segundo lugar em duas oportunidades senão teria um total de 15 vitórias, sendo 10 clássicas.

HESTOR – Um dos bons cavalos do Vale da Serra

INSHALOT (Magnasco-USA e Guirland por I Say-GB) clássico no Tarumã com 10 vitórias é outro bem lembrado pois venceu quatro corridas e dois segundos em suas primeiras seis atuações, além de impressionar pelo belo tipo físico. Uma lembrança que tenho com esse animal foi em 30/10/1994, quando eu, correndo “barbada” com o HOOVER (pule de 10), cavalo bem corredor de propriedade do Haras Nove de Março de Divonsir Hay, no Clássico Carlos Gurgel do Amaral Valente, em Curitiba, e que deveria vencer facilmente, foi surpreendido em cima do disco pela atropelada do INSHALOT. O terceiro colocado não apareceu na fotografia.

INSHALOT vencendo HOOVER em 30/10/1994

Nelson Jakubowski importou alguns potros da França e Irlanda como DAME COARAZE-FR (Dom Pasquin-FR e Sweet Yo-IRE por Manado-IRE) – ganhadora no Tarumã; ASTRONORM-FR (Kilian-IRE e Inisfa-IRE por African Sky-GB) – ganhador clássico no Tarumã e ETOILE NOIRE-IRE (Junius-USA e Etoile Grise-GB por Sea Hawk-FR) – 5 vitórias em 8 corridas.

Francês ASTRONORM seguro por Nelson Jakubowski e Dilson Antunes em 01/12/1991

A criação do Haras Vale da Serra não teve muitos elementos clássicos, porém a quantidade de bons ganhadores com várias vitórias em suas campanhas era muito grande. Não é difícil encontrar produtos criados pelo Haras Vale da Serra com mais de 10 vitórias em seus currículos.

A farda do Haras Vale da Serra foi inúmeras vezes ao “Winner Circle”, pois quase não vendia seus produtos e vencia constantemente em praticamente todas as reuniões no Tarumã. Com isso foi vencedor das Estatísticas de Criadores e Proprietários por dois anos consecutivos.

Aí vem uma boa história envolvendo meu pai…

Quando o haras tentava o tricampeonato consecutivo, em dezembro de 1994, na penúltima reunião da temporada, vinha com quatro vitórias na frente de meu pai na estatística de proprietários. Com essa vantagem, e pelo grande número de cavalos que tinha, o resultado final da estatística era considerado como “favas contadas” para o Vale da Serra. Foi quando João Carlindo resolveu que iria “dar trabalho”. Na penúltima reunião venceu três corridas (Contralosotros e El Diabo, este com duas vitórias no mesmo dia), e o Haras Vale da Serra venceu apenas uma, diminuindo a diferença para duas vitórias. E na derradeira reunião, com ambos inscrevendo vários animais, o Haras Vale da Serra venceu uma corrida (Key Moon Sail) e nós vencemos seis corridas (Conde Seller, Hajibe, Contralosotros, Darley Dale, Cork Tumbler e El Diabo (venceu três corridas em uma semana), dando a vitória a nossa farda verde e ouro. Uma vitória com mérito, mas também de muito orgulho por ter vencido um haras forte e vencedor. Depois de termos perdido duas estatísticas por larga margem para o Haras Vale da Serra, vencemos uma dele no fotochard.

Lembro que ao final da reunião, encontramos o GENTLEMAN Nelson Jakubowski próximo ao paddock e o titular do Haras Vale da Serra abraçou meu pai e rindo disse: – É Carlindo… não dá pra lidar com você mesmo. Parabéns!

São lembranças emotivas, com pessoas especiais como era o criador Nelson Jakubowski.

Dilson Antunes foi treinador exclusivo do Haras Vale da Serra

Colaborador do Jockey Club do Paraná, Nelson Jakubowski tinha um temperamento muito tranquilo, bondoso, educado e fazia parte da “Rede do Bem”, sendo um grande parceiro do Hospital Pequeno Principe, em Curitiba.

Sem grandes explicações, o Haras Vale da Serra parou repentinamente de criar no final dos anos 90.

Nelson Jakubowski faleceu em 2011, mas a lembrança de seu nome e de sua vencedora farda ficarão para sempre na história do Jockey Club do Paraná.

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