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Frequentemente retratamos aqui alguns haras, genuinamente paranaenses, de grande importância para a atividade turfística da “Terra dos Pinheirais”. Haras, aqueles, localizados em nosso Estado, de propriedade de criadores residentes no Paraná, frequentadores e colaboradores assíduos do Jockey Club local.
Entretanto, é inegável reconhecer também a importância de outros haras instalados no Paraná, de proprietários residentes em outros estados, que certamente enxergaram claramente as vantagens desse estado da região sul, com relação às terras férteis, clima propício, pessoal capacitado e tradição de sucesso para uma criação top do PSI. Isso já vem de muito tempo, onde diversos criadores de outros estados instalaram seus centros de criação no Estado do Paraná.
Embora com visão direcionada aos Hipódromos de Cidade Jardim e Gávea (o que é natural), além da exportação, esses haras, cuja produção, muitas vezes, não conheceu o Jockey Club do Paraná, mesmo assim colaboraram direta ou indiretamente para o crescimento do turfe paranaense.
A presença desses haras incrementou a criação e a economia local, disponibilizando empregos, pagando tributos e através da vinda de reprodutoras de primeiro nível e importação de excelentes reprodutores – disponibilizados inclusive aos criadores locais – com um significativo melhoramento genético do plantel paranaense.
Um desses primeiros “forasteiros” a serem instalados no Paraná foi a “FAZENDA SANTA ANGELA – HARAS CHANTECLER”, que através de seus fundadores – José Bastos Padilha, um dos maiores presidentes do Clube de Regatas do Flamengo, e de Roger Guedon, empresário, entre outros, diretor geral dos laboratórios S.A.R.S.A – Silva Araújo Roussel S/A, ambos importantes turfistas, que mesmo domiciliados no Rio de Janeiro, foram, através da importação de várias reprodutoras e reprodutores franceses, em uma criação no município de Castro/PR, grandes incentivadores e influenciadores da criação do PSI, contribuindo sobremaneira para a melhoria do plantel paranaense.
Outros “estrangeiros” vieram na sequência como o Haras Larissa (Geraldo Moacyr Bordon), Old Westburry Farm (Nelson Pereira), Haras Rosa do Sul (Matias Machline), Haras Pemale (Pedro Jarbas Merlo), Haras Santa Maria de Araras (Júlio Bozano), Haras Tijucas do Sul (Leonídio Ribeiro Filho), Haras São José da Serra (Sérgio Luiz Coutinho Nogueira), Haras Anderson (Weber Stabile e Anderson Stabile), Haras Santa Rita da Serra (Afonso Burlamaqui), Agro Pastoril Haras São Luiz (Hernani Azevedo Silva, Hernani Wallace Simonsen Azevedo Silva, Hernani Azevedo Silva Neto), Stud Elle Et Moi (Antônio Claudio Assumpção), entre outros.
Muitos mantiveram animais em campanha no Tarumã. Alguns, inclusive, tiveram cocheiras próprias na vila hípica paranaense.
Cada um desses criadores, certamente, merece um capítulo próprio nesta coluna. Entretanto, hoje, dissertarei apenas sobre um criador que convivi mais de perto, durante o período de sua criação no Paraná. – O STUD ELLE ET MOI.
Stud Elle Et Moi
O engenheiro carioca ANTÔNIO CLÁUDIO ASSUMPÇÃO e o supervisor e também carioca RENATO GAMEIRO montaram em 1986, na área do antigo e saudoso Haras Paraná Ltda, em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba, o seu centro de criação. Renato Gameiro foi o responsável pela montagem física do haras, bem como pela seleção do plantel e o estudo dos cruzamentos mais apropriados. Na coordenação veterinária estava à frente o também carioca DR. LUIS MÁRIO PIRES DE SOUZA, competente veterinário que trabalhava no setor de corridas do Hipódromo da Gávea; e que veio do Rio de Janeiro especialmente para ser o veterinário residente dessa nova criação. Alguns funcionários remanescentes do Haras Paraná permaneceram sob o comando do Dr. Luís Mário, popularmente chamado de “Dr. Marinho”.

Belos potros no Stud Elle Et Moi
O plantel inicial do haras era composto por 15 reprodutoras, entre elas CIGARRA (Zenabre); GAY CLEMENTINE (Some Hand-GB); KALA (Hypocrite) – DALE (Sunset) – G3; PIUMA AL VENTO-FR (Gyr-USA); CELINA IGI (Pass the Word-USA); FESTANÇA (Ingrato); VODINIC (Tonka); ITANÇA (Piduco-CH); PRINCESS ERIKA (Gershwin) e NICE INDIAN (Sabinus).
O Stud Elle Et Moi mantinha algumas éguas nos Estados Unidos como GAZERILLA-FR (Brave Johnny-FR); LADY MUNNINGS-USA (Sir Gaylord-USA); FLEUR DE FRANCE-ARG (Irmak-ARG); FOREIGN DEBT (Kirtling-IRE). Também potrancas criadas nos Estados Unidos vieram posteriormente para o haras em São José dos Pinhais. Outras reprodutoras de excelentes linhagens e campanhas, se juntaram ao plantel como CAFERANA (Figuron-CH) G1; BROLLY (Hibernian Blues-USA) G1; CRACKER BARREL KY-USA (Shadeed-USA) G1 e BOWL OF FLOWERS (Minstrel Glory-USA) G2.
Como reprodutores, lá estiveram alojados SLEW’S EMOTIONS-USA (1988 – Slew the Coup-USA e Lady Munnings-USA por Sir Gaylord-USA); VALSEUR (1970 – Pass the Word-USA e Nuance por Coaraze-FR); EMBARGANTE (1985 – Ghadeer-FR e Amantíssima por Egoismo) e ALPINE SKY (1979 – St.Chad-GB e France por Vasco da Gama-FR).
SLEW’S EMOTIONS-USA, criado por Antônio Claudio Assumpção nos Estados Unidos, e trazido para o Brasil, realizou uma boa campanha de sete vitórias (6 GV – 1 TR). Na sequência ingressou na reprodução, onde produziu apenas quatro filhos corridos – WEST STAR (3 vitórias – G3), WEST MOON (4 vitórias), GRANT HILL (4 vitórias) e MALICIA DA EMOÇÃO (2 vitórias).

Renato Gameiro e Antônio Claudio Assumpção com SLEW’S EMOTION’S – (foto: O Ninho do Albatroz).
VALSEUR produziu no Stud Elle Et Moi bons ganhadores como CATS LEADER (6 vitórias), CATS WINNER (6 vitórias), ENERGIA ECHIALAY (7 vitórias), entre outros.
EMBARGANTE produziu poucos filhos no Stud Elle Et Moi entre eles BRAVURA GUERREIRA (LR) e MALICIA DA RETA (5 vitórias).
ALPINE SKY ingressou na reprodução no Stud Elle Et Moi, em 1987, lá produzindo em sua primeira geração ENERGIA SKY. Selecionado e adquirido por João Carlindo, ENERGIA SKY foi “líder de geração” em Cidade Jardim e no Tarumã: 1º GP Juliano Martins G1, 1º GP Antenor Lara Campos G3, 1º Taça Pinheiro de Ouro G3, 2º GP Ipiranga G1, 2º GP Jockey Club de São Paulo G1, 2º Clássico José de Souza Queiróz G2, 2º GP Turfe Paranaense, entre outros.

ENERGIA SKY (I.Quintana) recepcionado pelo proprietário João Carlindo
O Stud Elle Et Moi também criou produtos de outros bons garanhões como Present The Colors-USA, Malecite-FR, Estafete, Telescópio-ARG, At Ease-USA, Slap Jack-USA, Robbama-USA, Thundering Force-USA, Dance Bid-USA, entre outros.
Com o cruzamento da reprodutora Celina Igi (Pass the Word-USA) com o reprodutor Slap Jack-USA, o Stud Elle Et Moi criou uma das éguas mais famosas e vencedoras da cancha reta nacional: CATS NIGHT – a veloz “Preta do Mangueirão”. Em hipódromos oficiais CATS NIGHT venceu por vários corpos em sua única atuação na Gávea. Enviada ao haras foi excelente reprodutora, sendo mãe da ganhadora de G1 – American Night e avó da Tríplice Coroada – Old Tune, da ganhadora de G2 – Doppia Vendetta, do ganhador de G3 na Suécia – Verde-Mar, da ganhadora de G3 no Uruguai – New Julia e do ganhador de G3 – Dark Bobby.
O mesmo cruzamento (Slap Jack / Celina Igi) deu ao haras de Antônio Claudio Assumpção, em 1991, o excelente FANTASY FLYING – 3 vitórias, 1º GP Turfe Grand Prix, 2º GP Major Suckow G1, 2º GP Proclamação da República G1, 2º GP Cordeiro da Graça G2. Levado à reprodução produziu para o Stud Elle Et Moi – COMBLIX – 10 vitórias, GAS SUPLIER – 10 vitórias, ESTILO NOBRE – 5 vitórias, além de bons velocistas de pencas.

FANTASY FLYING na Capa da Puro Sangue Inglês
Vários outros bons ganhadores foram criados pelo Stud Elle Et Moi como FREE TO WAKE (L’Emigrant-USA) – 1º GP Pres. Luiz Teixeira de Assumpção G2; FORÇA BOREAL (Hostage-USA) – 6 vitórias (2º G2) – BLOODY PASSION (Thundering Force-USA) – 6 vitórias (G2), ENERGIA REI (At Ease-USA) – 8 vitórias (G3), ESTILO PORTEÑO (Cacao-ARG) – 4 vitórias (LR), entre outros.
Em 1992, meu pai João Carlindo, em uma negociação com o titular (não lembro exatamente qual…) levou um lote de 20 potros desmamados para serem recriados no haras de Antônio Claudio, onde seguiriam um ano depois para um leilão em São Paulo, em parceria com o Haras Blitz Pferd. Daquela nossa geração, lembro que foi recriado lá, com colaboração do Dr. Marinho, o clássico HOTMANN – 11 vitórias, 2º GP Juliano Martins G1, 3º Taça de Prata G1.
Foi uma época em que quase diariamente eu estava lá no Elle Et Moi. Convivi muito com o Dr. Luis Mário e sua esposa Mônica. Um casal muito especial. Se os resultados obtidos por nossos animais lá recriados foram bons, a amizade e admiração pelo casal foram ainda maiores. Estivemos juntos nas fotografias vencedoras do nosso craque ENERGIA SKY.

Dr. Luiz Mário e esposa Mônica com a Taça Grupo 1 de ENERGIA SKY (foto: Porfirio Menezes)
O Stud Elle Et Moi seguiu criando até o ano 2000, em São José dos Pinhais, e após isso, Dr. Luís Mário Pires de Souza se radicou definitivamente no Paraná, onde frequentemente nos “esbarramos” nas corridas do Jockey Club, ou aos sábados, num tradicional café da manhã.
Antônio Claudio Assumpção, que sempre foi muito educado comigo nos momentos em que o encontrei na Gávea ou no haras, infelizmente nos deixou em 2023, levando para os campos celestiais a sua grande paixão pelos cavalos.
Quanto ao escritor e agente internacional de grande sucesso – Renato Gameiro – tem ele a minha admiração, pelo seu grande conhecimento sobre o turfe mundial, e maior ainda sobre cavalos (afinal, selecionar um Much Better não é para qualquer um…). Renato sempre que falou ou escreveu sobre mim e meu pai, sempre o fez com grande carinho e consideração. Um gentleman!
Enfim, três cariocas admiradores das “terras do Paraná”, e nas quais obtiveram sucesso na criação do PSI, com o seu, hoje saudoso, Stud Elle Et Moi.
galopando.com.br
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