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O turfe brasileiro conheceu um dos maiores mestres na arte de treinar cavalos, chamado ALTHAYR OLIVEIRA, o popular “PEIXE”.
Althayr foi um dos melhores e mais populares treinadores que iniciaram e se destacaram na profissão no Tarumã e, na sequência, se transferiram para Cidade Jardim, onde alcançaram muito sucesso e muito prestígio.

ALTHAYR OLIVEIRA – na época do Tarumã (Foto: JCPR)
Além de treinador, o “Peixe” era proprietário e criador do PSI, com o seu Haras Dom Octávio. Esse haras foi fundado por seu pai, Octávio Oliveira, que teve toda uma vida dedicada aos cavalos. Octávio foi treinador no antigo prado do Guabirotuba, numa época onde os mestiços eram a maioria dos cavalos lá alojados. A paixão pelos cavalos da família já vinha do avô de Althayr Oliveira, que ainda pelos anos 1800, gostava de participar das pencas com os seus “pupilos” que criava para tração; mas ganhou mesmo força com Octávio Oliveira. A tradicional família Oliveira, do bairro do Guabirotuba, com a sua moradia próxima ao antigo Prado Velho, tinha a presença nas corridas daquele hipódromo como um hábito semanal.
Um dos primeiros PSI de seu Octávio foi o cavalo BIG BEN – ganhador clássico de 10 corridas. Cavalo que ficou para seu irmão Arlindo Ribas de Oliveira e que seu Octávio considerava um animal “fora de série”.
Com a mudança do Prado Velho para o Prado Novo (Hipódromo do Tarumã), seu Octávio deixou de treinar cavalos passando a se dedicar exclusivamente à criação, fundando, então, o Haras Dom Octávio.

O Haras Dom Octávio estava localizado em São José dos Pinhais, pouco mais de 20 quilômetros do centro de Curitiba, em uma área de 20 alqueires com boas pastagens e grande disponibilidade de água. Com 18 piquetes, 30 cocheiras, maternidade, farmácia e depósito, o haras também era autossuficiente em alfafa e milho – disponibilizados diariamente aos animais.
O plantel foi constituído inicialmente por aproximadamente 15 reprodutoras. A primeira reprodutora foi MEIGA (Timão e Parla por Erebus-ARG) que produziu no Haras Dom Octávio os ganhadores GRAN MELLIOT (5 vitórias), XARELETE (5 vitórias), ENOBRECIDA (3 vitórias), DARLY (3 vitórias), ALRICHO (3 vitórias) e SILAMY (4 vitórias). Outras éguas filhas de OAK RIDGE-GB, KING BUCK-USA, FLAMBOYANT DE FRESNAY-FR, ARLEQUINO-FR, SIRIUS-GB, COARAZE-FR, I SAY-GB, SAHIB-USA, PADDY’S LIGHT-GB, GOLDEN SWAN-GB, NORDIC-FR e TIMÃO fizeram também parte do plantel de reprodutoras do Haras Dom Octávio.

Haras Dom Octávio (Arquivo)
Como pastor chefe do haras lá estava ELLIOT (Flamboyant de Fresnay-FR e Soupe-FR por Tapioca-FR). Cavalo de criação do Haras Pirajussara, grupo 1, que em campanha obteve quatro vitórias em Cidade Jardim: Venceu o GP Presidente do Jockey Club de São Paulo sobre o ganhador do GP São Paulo – Gadahar e o bicampeão do GP Bento Gonçalves – Uleanto. Foi um bom corredor.
Na reprodução ELLIOT produziu bons ganhadores como ALL NYMPHE (5 vitórias – G3); KE-AMIGÃO (4 vitórias –LR); NOSSOL (7 vitórias); KI NOBRE (6 vitórias); HALF-LOIRO (5 vitórias); KE GREVE (5 vitórias); GRAN MELLIOT (6 vitórias); KEENELAND (5 vitórias); HALF-LOIRO (5 vitórias), O’TAIR (4 vitórias), GINEBRA (4 vitórias), entre outros. ELLIOT produziu no Haras Dom Octávio até 1995.

ELLIOT no Haras Dom Octávio (Revista do Turfe)
Na sequência outro reprodutor ficou alojado no Haras Dom Octávio: PEDRINHO, filho do extraordinário Tumble Lark-USA e da ganhadora do Diana G1 – Just So por Earldom-USA. PEDRINHO produziu entre outros, QUE FINAL (5 vitórias -ganhador clássico no Tarumã); QUENYAN (16 vitórias GV e CJ); SHEIK-DOR (9 vitórias CJ); PRETO NAGO (7 vitórias CJ), IL MAGIC (4 vitórias) e WALLOP (4 vitórias).
Com o falecimento de Octávio Oliveira, seu filho Althayr Oliveira continuou com o haras. Já radicado em Cidade Jardim desde 1964, Althayr frequentemente estava no Paraná acompanhando a sua singela criação.
Embora uma pequena criação, os seus produtos foram fotografados muitas vezes no “winner circle” de Cidade Jardim, Gávea e Tarumã. FORT OLIMPICO (Bonapartiste-FR) – 3 vitórias G3, EL HERDEIRO (Our Captain Willie-USA) -clássico de 6 vitórias, EMOTIVO (Closeness-GB) – 6 vitórias, NAVIO AZUL (Time For Fun) – 5 vitórias (GV e TR), TAMBORILLO (Ken Graf) – 5 vitórias, CIDADE SORRISO (Our Captain Willie-USA) – 3 vitórias (GV), LAMPIÃO HEROI (Giant Gentleman-USA) – 3 vitórias, JAMYGONY (Amigoni-IRE) – 3 vitórias – foram alguns deles.
Em 2009, o Haras Dom Octávio produziu o ganhador clássico e “Rei da Raia Paulista” – JIRAYA (Bonapartiste-FR e Paixão Eterna por Kenético) – 1º GP General Couto de Magalhães – Taça de Ouro G2, 1º GP Consagração G2 – Quarta Prova da Quádrupla Coroa de São Paulo. Esse bom cavalo defendia a farda azul e branca do STUD ULTIMATE FISH, também de propriedade do mesmo Althayr Oliveira. JIRAYA foi levado para a reprodução no Haras Dom Octávio onde, com poucos produtos nascidos, produziu ganhadores.

JIRAYA vencendo com farda do Stud Ultimate Fish (foto: JCSP)
Os últimos animais de criação e propriedade do Haras Dom Octávio que tiraram fotografia no Tarumã foram NUVEM FULGAZ, NUVEM CLARA, OFÉLYA e NAVIO AZUL.
Inclusive essa vitória de NAVIO AZUL foi em 1300 metros e pra cima deste que vos escreve, que em cima do disco ultrapassou uma égua de meu treinamento e propriedade. Normal que prevaleceu a experiência sobre a juventude. Até brinquei com seu Althayr depois do páreo. Acredito que esta deva ter sido a última vitória da farda do Haras Dom Octavio no Tarumã.

Farda do HARAS DOM OCTÁVIO cruza na frente no TR
Não cheguei a conhecer o senhor Octávio Oliveira, mas tive sempre um grande respeito e admiração por seu Althayr Oliveira, o “PEIXE”. Primeiro pelo profissional competente que era. – Quem não se lembra da vitória de KENÉTICO no GP São Paulo de 1983, que sob a monta do “feiticeiro” Albenzio Barroso e treinamento do “PEIXE” repetiu o êxito conquistado por sua mãe Donética, em 1978.
Ou ainda da vitória de OFERU BIRD na Copa ANPC G1 de 1987, vencendo na fotografia os ótimos Corto Maltese e Radnage numa direção fantástica de Ivan Quintana.
E ainda seria impossível esquecer das vitórias de VICTORY IS OURS nos GPs Paraná (em recorde) e Bento Gonçalves de 2013, sob a monta da bela e simpática joqueta Josiane Gulart, que se consagrou com a primeira “joqueta” a vencer essas duas tradicionais provas, e graças a uma aula de treinamento do “PEIXE” que manteve seu animal em impecável forma física mesmo com vários quilômetros percorridos entre os hipódromos. Certamente foram vitórias para sempre serem lembradas.
Minha admiração também passa pela pessoa séria, educada, calma, de fala mansa que sempre me tratou muito bem. Lembro de sua tradicional cocheira na Vila Hípica de Cidade Jardim, que me recebeu algumas vezes para um café e boa conversa.

ALTHAYR OLIVEIRA em Cidade Jardim (Foto: Porfírio Menezes)
ALTHAYR “PEIXE” OLIVEIRA faleceu em 22 de abril de 2022, aos 92 anos de idade, deixando saudade aos seus admiradores que lembram do profissional capaz que, com seu volumoso bigode e olhos claros protegidos por tradicional chapéu, deixou marcada uma bela passagem pela criação paranaense e turfe brasileiro.
galopando.com.br
Apoio:
Haras:

Springfield – Belmont – Águia de Prata

Cifra – S.Jerônimo Castro – H.Oliva
Studs:

My Hero Dad – EduDuCar – Dom Pepe

Galope – Duilio Berleze – Alnatural

Top Tarumã – TBS International
Tive o prazer de conhecer seu Althayr e sua esposa, aqui na cocheira do Tarumã, que pessoas fantásticas, merecem todas às homenagens que lhes fizerem.Parabéns pela matéria