Aqui sempre tentamos retratar as personalidades que fizeram história no turfe paranaense. Hoje não só citamos o Paraná, mas mais especificamente um haras curitibano até no nome.

Entretanto, não seria possível “falar” do Haras Curitibano sem antes traçar rapidamente o perfil e a história de seu proprietário – Raul Baptista Trombini. Aí que vem o problema, pois retratar uma personalidade através das letras, frases e parágrafos em uma pequena matéria é tarefa das mais complicadas. Tudo o que possa ser escrito certamente será pouco para vislumbrar detalhes de uma vida gloriosa de uma pessoa especial como foi Raul Trombini.

Raul Baptista Trombini, nascido em 1935, foi uma das pessoas mais simpáticas que encontrei em minha trajetória no turfe. Homem inteligente, sensível, de sorriso fácil e fala calma, bom ouvinte, mas como detentor de “sangue italiano”, também impaciente de forte personalidade.

    Raul Baptista Trombini

Por falar em Itália, os seus bisavós vieram da região do Vêneto para o Brasil em 1872, que por coincidência se trata da mesma região de onde vieram os meus bisavós italianos, poucos anos depois e fugindo de uma Europa sem perspectivas naquela época.

Raul, neto de Olympio e Angelina Buzzeti Trombini e filho de Geraldo e Maria Cândida Malucelli Trombini herdou dos ascendentes a dedicação pelas fortes relações familiares, pelas artes, pelo trabalho, por um bom vinho e pelo futebol. Raul era um fervoroso torcedor do Ferroviário, precursor do Colorado e do Paraná Clube, este o time paranaense de minha simpatia, e do qual Raul foi dirigente.

Criado em Pinheiral, próximo de Palmeira, não distante de Curitiba, onde os tios Malucelli tinham serraria, Raul vivia perto da natureza e dos cavalos e com esse convívio desde cedo foi logo “picado” por essa paixão. 

Já em Curitiba, no início de 1946, a família Trombini inicia seu projeto empresarial como donos, junto a outros familiares, da “Casa Raimundo”, uma espécie de mercado onde se vendia de tudo.  Raul, com os irmãos Renato, Roselis e Raquel ajudava o pai Geraldo, principalmente nas entregas aos clientes, a pé ou de bicicleta.

A Casa Raimundo foi o “pontapé inicial” para o desenvolvimento do Grupo Industrial Trombini, que com a também participação dos tios Mirtilo e Sinibaldo; do irmão Renato e dos primos Luiz Sérgio, Ítalo, Lenomir e Wladimir, ou seja – uma empresa com grande conexão familiar, tornou-se o segundo maior complexo de fabricação de papelão e embalagens do país – a TROMBINI S/A.

Fazendo um parêntese para minhas agradáveis memórias – “A primeira Fábrica Trombini, instalada no caminho entre os bairros Mercês e Santa Felicidade, e que lá ainda está, eu frequentava ainda garoto, em 1975, pois tinha um amigo de escola que morava numa das casas dentro do imenso terreno da fábrica; e por lá brincávamos, perambulando de bicicleta e alimentando os peixes de um grande tanque que lá existia. Bons tempos!”

Assim, o dinâmico Raul Trombini, um dos líderes deste grupo empresarial de grande sucesso, passou também a se dedicar a uma paixão antiga – a criação de animais: Gado Nelore/Red Angus, Ovinos e certamente também os Cavalos de Corrida.

Seu início no turfe foi com o Stud Rubro Negro (seu pai era atleticano…) em sociedade com o primo Ítalo Fernando Trombini (posteriormente titular do também consagrado Haras Valente), sendo o seu primeiro defensor o cavalo NOVELLO.

Com o apoio da esposa Berenice e dos filhos Ricardo, Roberto, Vera Lucia e Ana Lucia, Raul fundou em 1983 o Haras Curitibano, em Campo Largo, região Metropolitana de Curitiba, com área de 43 alqueires, sendo 32 alqueires integralmente preservados à natureza.

Na gerência e administração estava o fiel Pianaro e como seu “braço direito” na atividade estava Ari de Azevedo Perez, genro de Raul. Na responsabilidade técnica veterinária o competente Dr. Newton Birskis.

                           Haras Curitibano

Batizando as gerações nascidas com nome e sobrenome, Raul Trombini criou na primeira geração ARY DI ZALUAR e ANNA DI ZALUAR. Na segunda geração BERE DI ZALUAR e BELIZA DI FERRAT (clássica); e a terceira geração nascida no haras apresentou a ótima CAROLINE DI BOND (Good Bond-GB e Robertina por Oak Ridge-GB) – clássica de sete vitorias inclusive o GP Primavera LR.

Num plantel que começou pequeno com média de 10 éguas mas que chegou a 30 reprodutoras, e uma centena de cavalos no total em uma temporada – entre treinamento e reprodução; o Haras Curitibano criou outros bons animais, entre eles: JOSEPHINE DI GLORY (Clássica de 11 vitórias – LR); ELLOF DI MIDNIGHT (Clássico); EPSON DI REICHMARK (Clássico G2 com 11 vitórias); PRINCE DI JAVA (1º GP Cruzeiro do Sul – Derby Carioca G1); LOBY DI LACARTA (11 VITÓRIAS – G3); PIANISTA DI OURO (09 vitórias – Ganhadora clássica G2); MARCO DI COLONY (Ganhador clássico de 14 vitórias); LENO DI CRITIQUE (Clássico), SAPORE DI MARE (Clássico); UNGARO DI GLORY (Clássico de 10 vitórias); TANGO DI GARDEL (Clássico G1); RED DI ANGUS (10 vitórias); JUAREZ DI GLORY (Clássico), MISTER DI CAROLINE (LR – Líder no Tarumã), entre tantos outros.

      PIANISTA DI OURO (Cl. Primavera 2004)

Mas certamente não é possível colocar fora do topo da lista o craque JOB DI CAROLINE (Minstrel Glory-USA e Caroline Di Bond por Good Bond-GB) – principal animal criado pelo Haras Curitibano. Líder de geração, Job Di Caroline correu sempre defendendo a farda do seu criador e venceu oito provas, inclusive o GP o Jockey Club Brasileiro G1 na Gávea, obtendo ainda colocações graduadas nos GPs Ipiranga-G1, Cruzeiro do Sul-G1, Estado do Rio de Janeiro-G1 e Derby Paulista-G1.

                      JOB DI CAROLINE

Levado aos Estados Unidos para breve campanha, retornou ao haras em que nasceu para ser o reprodutor chefe. E na reprodução Job Di Caroline foi também um grande sucesso, produzindo no Haras Curitibano GANDHI DI JOB (Bicampeão do GP José Pedro Ramirez G1 no Uruguai); BOB DI JOB (G1 no Uruguai); ADRYA DI JOB (G1); YEZA DI JOB (G1); CALISTO DI JOB (LR com 10 vitórias); CHANEL DI JOB (LR com 11 vitórias); BLUE DI JOB (LR com 10 vitórias); YUCATAN DI JOB (G2 com 11 vitórias no Uruguai); VALETE DI JOB (LR); UDINEZI DI JOB (1º LR), UNIBOY DI JOB (G3 com 17 vitórias), SKY DI JOB (Líder invicto no Tarumã – exportado para EUA). Produziu ainda BARTHOLOMEU (G1); HOJECHOVE (1º G3) e muitos outros bons ganhadores.

Raul Trombini tinha muitos amigos, dentro e fora do turfe. No turfe era muito amigo de NOEL SALAZAR, ERALDO PALMERINI, ANTONIO ACYR BREDA, ROBERTO BELINA, HOMERO OLIVA, NESTOR BAPTISTA, JAEL B. BARROS, ALCIBIADES ALMEIDA FARIA NETO, RUBENS GUSSO, NEWTON BIRSKIS, MÁRCIO FERREIRA GUSSO e muitos outros.

Márcio Ferreira Gusso, inclusive, foi o treinador da grande maioria dos bons animais citados acima e responsável pelo belo grupo de cocheiras do Haras Curitibano no Hipódromo do Tarumã.

PRINCE DI JAVA vencendo o Derby Carioca 2003

Outro parêntese para minhas boas memórias: Tive o prazer de treinar alguns animais do Haras Curitibano em 1994 num curto período de tempo em que Márcio Ferreira Gusso estava suspenso. Pouco tempo, mas conseguindo algumas vitórias como as de FERNANDA DI BALL e FIORE DI CAPITAINE e onde pude conviver próximo a Raul Trombini, admirando seu otimismo, inteligência, simpatia e bondade. Em alguns almoços em seu haras, também um magnífico anfitrião, onde pudemos conversar muito sobre futebol – principalmente o nosso PARANÁ CLUBE – e o MALUTROM (primeiro time empresa do Brasil fundado em 1994 pelas famílias MALUCELLI e TROMBINI), vinhos, cavalos, marketing (me propôs uma parceria em uma revista de turfe) e sua experiência de vida. Aprendi muito com ele!

Raul foi ainda vice-presidente do Jockey Club do Paraná (2003/2005), e um dos grandes apoiadores que o turfe paranaense já teve. Infelizmente nos deixou em 2009.

Sua última fotografia da vitória foi em Cidade Jardim com a clássica YEZA DI JOB em 09/11/2008.

Encontrando algumas vezes no hipódromo o amigo Ari Perez, logo me vem a lembrança o querido Raul Trombini, seu sogro; da mesma forma que ao encontrar o também amigo Ítalo Fernando Trombini Filho, lembro claramente da pessoa especial que foi seu pai (“Lolô” Trombini). Duas lendas do turfe e do empresariado paranaense que fazem muita falta!

                Raul Trombini 

Um grande TURFISTA – Um grande EMPRESÁRIO – Um grande HOMEM.

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