Fundado no início da década de 50 por MIGUEL ELIAS NICOLAU e ANTÔNIO SAAD o Haras Santa Marieta ficava localizado no município de Ponta Grossa/PR. Posteriormente, uma outra área instalada no município de Colombo, poucos quilômetros distante do centro de Curitiba, serviu de criatório para o Haras Santa Marieta.

Com plantel de aproximadamente 20 éguas, o Haras Santa Marieta, nas décadas de 50, 60 e início de 70, sempre esteve posicionado entre os dez primeiros colocados nas estatísticas de criadores e proprietários do Paraná.

Seus produtos criados foram na totalidade batizados com os prefixos “DON” ou “DOM” para os machos e “DAMA” para as fêmeas.

Entre algumas das matrizes que passaram pelo Haras Santa Marieta encontramos DEFENDIDA-ARG (Pantalon-FR); SINESKA-ARG (Sincora-Arg); FADA BENTA (Aram-FR), DAKHILAK (Corpora-USA), ISBARTA (Mogul-GER), FILOMENA (Garboleto), FUTURA (Judô), FIDALGUIA (Timely-IRE), CROQUETE (Duplicate-GB), ASTUCIOSA (Haddock-GB), KLESEL (Lunar-URU), FAIR DOLLY (Fairbland-GB), HERBELET (Q.E.Q.A-GB), SERINGE (Indocil), LA PAMPA (Empire), FIFIA (Wilderer-GER) e DAMA DA NOITE (Bambino-ARG).

Na década de 50 o Haras Santa Marieta já havia produzido o bom DON NEME (Albacin-ARG e Cidoca) – 12 vitórias – GP Bento Munhoz da Rocha Neto, GP Consagração, GP Edmir Silveira D’Avila, GP Cidade de Curitiba, GP Assoc. dos Cronistas de Turfe – recordista e líder de geração no Tarumã.

DON NEME (Constante Bini) recepcionado por Miguel Nicolau

Na sequência produziu também as ótimas ganhadoras DAMA ESTRANHA, DAMA VERMELHA, DAMA DO NORTE, DAMA DO SUL, DAMA DE PRATA; o líder de geração no Tarumã – DON JAMILÃO (Lindo Pial-ARG e Habanera) – ( GP Caio Paes de Barros, Clás. Luiz Abreu de Leão, Clássico Carlos Diesztch, GP Lineu de Paula Machado, GP Governador do Estado, no GP Paraná, etc.), e o excelente tordilho DON BOLINHA (Quixú e Croquete por Duplicate-GB) – GP Oswaldo Aranha (2 vezes – GV), GP Presidente Vargas (2 vezes – GV), GP Presidente do Jockey Club (CJ), GP Derby Sul-Brasileiro (TR), Clássico Natal (CJ), Clás. Jockey Club do Rio Grande do Sul (TR), GP Brasil (GV), Derby Sul-Americano (CJ), GP Doutor Frontin (GV), GP 29 de Outubro (CJ). DON BOLINHA fez sua bela campanha defendendo a farda “preto, alamares ouro”, do Stud Quiproquó, de propriedade de Miguel Elias Nicolau e Alberto José Mezzomo.

O Atleta DON BOLINHA (F.Irigoyen) – foto: Turfe & Fomento

Levado à reprodução, DON BOLINHA produziu apenas 13 produtos que correram, entre eles, aquele que foi, talvez, o cavalo “do coração” de meu pai (do meu certamente ainda é…): O Expresso Prateado DON TIBAGI, vencedor de 24 corridas: GP Princesa do Sul (Pelotas), GP Cidade de Ponta Grossa (PG), GP Presidentes do Jockey Club do Paraná (TR), GP Oribe Marquez (TR), GP ABCCC (CR), GP José Herculano Machado (CR), GP Independência (TR), GP Wembley de Turfe (TR), GP Paraná (TR), entre outros. Don Tibagi venceu dos 500 aos 3000 metros, estabelecendo 4 recordes de distância.

DON BOLINHA também produziu DON OLVEDO (8 vitórias – clássico no Cristal); DON PEDRINHO (6 vitórias) e o grande craque CHUBASCO ( GP Ipiranga G1, Derby Paulista G1, Taça de Prata G1; GP Oswaldo Aranha G1, GP J.C.S.P G2, GP Consagração G1, GP Cruzeiro do Sul G1, GP São Paulo G1). Chubasco, embora de criação do Haras Ponta Porã, era filho de FIFIA, égua pertencente,  em determinada época, ao plantel de reprodutoras do Haras Santa Marieta.

O Reprodutor DON BOLINHA – (foto: Anuário do Turf & Criação)

Após uma parada estratégica, onde a criação de equinos ficou para segundo plano, na década de 60, o Haras Santa Marieta, pelo entusiasmo único de Miguel Nicolau, voltou com força para a criação do PSI, produzindo, entre outros, um dos bons cavalos da história do turfe paranaense – o multiganhador clássico e colocado no GP Paraná – DON CACHOLA (Bahari-ARG e AningaAçú por Emiro-ITY). Também criou uma das grandes éguas do turfe paranaense em todos os tempos: DAMA NATALINA (Manguari e AningaAçu por Emiro-ITY), ganhadora clássica de 15 provas, inclusive o Clássico Primavera de 1966 – Invicta em Cidade Jardim.

Entramos na década de 70 com o Santa Marieta produzindo bons animais como DON CAJÚ (6 vitórias – GP Antenor de Lara Campos G2, 1º GP Continental do Turfe, GP Bento Munhoz da Rocha Neto); DAMA BRONZEADA ( Clássico Criadores, Clássico João Carlos Leite Penteado LR), DON ALEGRE (7 vitórias – clássico no Tarumã), DON BRILHO (6 vitórias – clássico no Tarumã), DOM CARINHOSO (16 vitórias – ganhador clássico no Tarumã), DOM ÁGUIA (9 vitórias – clássico no Tarumã), DAMA COPACABANA (6 vitórias – clássica no Tarumã), DOM ATLÉTICO (6 vitórias – clássico no Tarumã).

DON TIBAGI (Clóvis Dutra “up”) recepcionado por João Carlindo

Quanto aos reprodutores que estiveram prestando serviços ao Haras Santa Marieta citamos QUIXU (1951 – Formastérus-FR e Flossy por Santarém), adquirido do Stud Paula Machado que após campanha clássica em São Paulo, ainda venceu, para a farda do Haras Santa Marieta, o tradicional GP Cidade de Ponta Grossa, em recorde. Na reprodução, QUIXÚ produziu apenas nove produtos, entre eles o já citado DON BOLINHA.

JUTEL (1961 – Doutelle-GB e Moss Spring-GB por Mossborough-GB) que produziu no Haras Santa Marieta os ganhadores DON AVARÉ (10 vitórias), DAMA PLATINA (7 vitórias), DON DAMASCO (5 vitórias), DAMA PRATEADA (3 vitórias), entre outros.

Também IN COMAND (1968 – Jour Et Nuit-IRE e Acae por Vagabond II-FR), pai entre outros do craque RIADHIS. Para o Haras Santa Marieta, IN COMAND produziu DON ELÁSTICO (12 vitórias, GP Derby Paranaense, GP Presidente do Jockey Club do Paraná, GP Luiz Fernando Cirne Lima,  GP Aramys Athayde, GP Taça Pinheiro de Ouro G3); DON FURACÃO (6 vitórias, GP Natal  no Tarumã); DON HERÓI (11 vitórias – clássico no Tarumã); DON EXPLOSIVO (4 vitórias – clássico no Tarumã); DON DANI (3 vitórias – clássico no Tarumã) e outros bons ganhadores como DON DITADOR (6 vitórias), DAMA ESTRELA (4 vitórias), entre outros.

O citado DON OLVEDO (1970 – Don Bolinha e Dama da Noite por Bambino-ARG), irmão próprio do nosso DON TIBAGI, foi outro animal levado à reprodução no Haras Santa Marieta onde produziu poucos produtos entre eles DON ESPECIAL (G3).

MINDIENNE (1964 – Pewter Platter-GB e Indienne por Violoncelle-FR) também foi bem aproveitado pelo Haras Santa Marieta onde produziu bons ganhadores como DAMA BACANA, DOM COMAND, DAMA BABY, DON BOLA, DAMA BELA e os já citados DON CAJÚ (G3) e DAMA COPACABANA (clássica).

Clássico DON OLVEDO – Também reprodutor no Haras Santa Marieta

O Haras Santa Marieta seguiu criando até 1985 e nessa meia década ainda criou DON FURACÃO (6 vitórias – ganhador clássico no Tarumã); DON HENRI (4 vitórias – 2º GP Derby Paranaense LR); DON ESPECIAL (G3), DON FUTURO (3 vitórias), DAMA FAISCA (2 vitórias em 3 corridas), DAMA JISSARA (5 vitórias – clássica no Tarumã) e DOM INCRÍVEL (5 vitórias).

Em 1990, meu pai João Carlindo, juntamente com os amigos Laércio Geraldo Pasini e Juarez Nicolau (filho de Miguel Elias Nicolau), foram sócios em alguns animais (Kirsomali, Apilmado, etc.). Com amizade próxima, através de Juarez Nicolau, arrendamos a área de Colombo/PR,  para uma pequena criação do PSI. Por três anos estive quase que diariamente naquele local atendendo as nossas éguas lá instaladas. Foram tempos com bons resultados. Acredito que depois disso, aquele local não mais alojou animais PSI.

                  Haras Santa Marieta 

Vários anos depois, desviei meu caminho para rever a área do haras. Tive que passar e retornar três vezes pelo local para ter certeza de que se tratava do lugar correto, visto que a bela área que outrora criou excelentes cavalos, deu lugar a um enorme condomínio residencial.

É o progresso… é a vida que passa, mas que deixa para trás uma grande saudade daquele haras de “DOM MIGUEL ELIAS NICOLAU, que também está, através de seus nobres “Dons e Damas”, com méritos, na bela história paranaense da criação de cavalos de corridas!

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