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Um dos maiores e mais importantes haras da criação paranaense foi, sem dúvida, o HARAS SÃO JOAQUIM. Durante toda a sua trajetória sempre esteve colocado entre os primeiros colocados nas estatísticas de criadores do Paraná, e em certa época também nas estatísticas da Gávea e Cidade Jardim.

             Estatísticas 1960 (PR)

Sua criação iniciou em 1949, sendo registrado oficialmente no Stud Book em 02 de janeiro de 1950 como propriedade inicial de PAULO AFFONSO ALVES DE CAMARGO, RUBENS AMAZONAS LIMA e ARNALDO ALVES DE CAMARGO, estando instalado muito próximo do centro de Curitiba, onde hoje estão localizados os bairros nobres do Alto da XV e Jardim Social.

Com plantel inicial de 25 reprodutoras, o haras criou potros mestiços e também puros.  Entre as primeiras reprodutoras estavam Lana, Coronela, Nicarágua, Mística, Pebetita e Gladir.

Seus primeiros reprodutores foram EPERLAN-ARG (1944 – British Empire-GB e Calpurnia-ARG por Copyright-GB), MONTERREAL-URU (1940 – Stayer-URU e Monteria-URU por Gradelly-GB) e MADRILEÑO-ARG (1944 – Parlanchin-ARG e Madrona-ARG por Alan Breck-GB).

Monterreal-URU 

Eperlan-ARG   

Madrileño-ARG

Na sequência de sua criação foram incorporados os reprodutores: BONJARDIM (1958 – Fort Napoleon-FR e Navarra por Formasterus-FR), BUSTLER-GB (1969 –Pampared King-GB e Who Can Tell-GB por Worden-FR), HUBRIS-GB (1970 – Gulf Pearl-GB e Chislet-GB por Tehran-GB), QUERANDI (1974 – King’s Catch-GB e Jassa por Cigal-FR) e QUICKSILVER (1964 – Mogul-GB e Sportiluza-ARG por Sporting Doc-ARG), este um excelente “sprinter” ganhador clássico, de criação e propriedade do próprio Haras São Joaquim que o levou para a reprodução.

Paulo Affonso e sua filha com QUICKSILVER (A.Soares)

A primeira geração do Haras São Joaquim nasceu em 1949 com a inicial “A” na nominação dos produtos criados. Dessa geração vieram ABDAL, ABORIGEM, ABOIM, etc. Na segunda geração a inicial “B” de BRITISH GLORY, BACATELA, BERBERE, BALANCE e assim por diante. Na geração “D” já criou um excelente animal: a égua DONAIRE (Eperlan-ARG e Nicarágua-ARG por Pinturero-FR) – 1º GP Raphael de Barros, 1º GP Mariano Procópio, 1º GP Jockey Club del Perú), 1º Clássico Barão de Piracicaba, 1º Clássico Francisco Villela de Paula Machado. Em sua época foi a égua que mais faturou prêmios no Jockey Club Brasileiro.

E as gerações do Haras São Joaquim continuaram a ser criadas com grande esmero; letra após letra, foram incontáveis vitórias. Impossível relacionar todas elas. Só como exemplo citamos alguns destaques das últimas gerações do alfabeto. Dessas gerações foram criados SENGÊS (12 vitórias – clássico), SOUTHAMPTON (8 vitórias – clássico), TOBRUK (11 vitórias – clássico), URT (1º GP Oswaldo Aranha – CJ, 1º Clássico Herculano de Freitas, 3º GP João Sampaio 3.000m – CJ), VALMONT (8 vitórias), XUCARAY (10 vitórias – 1º LR), XIRLUMINY (16 vitórias – clássico), ZACATELCO (ganhador clássico de 9 vitórias), ZABID (12 vitórias – 1º LR), ZABUL (10 vitórias), ZELE (7 vitórias), e muitos outros.

Entretanto, como o haras já ocupava uma área praticamente urbana, onde Curitiba, cada vez mais, se expandia em todas as direções, a área do haras foi loteada.

No início da década de 60, foi adquirida pelo médico Dr. Paulo Affonso Alves de Camargo uma nova área na cidade de Piraquara, acesso à cidade de Quatro Barras, região metropolitana de Curitiba, instalando-se ali, numa sociedade com o renomado médico veterinário Dr. Heliodoro Antônio de Oliveira Duboc, o novo Haras São Joaquim. Essa área era dotada de excelentes condições físicas e ambientais para o haras continuar criando animais de boa qualidade.

No início dos anos 70, o Haras São Joaquim fez algumas importações, entre elas, a excelente égua inglesa RIGHT JANE (1971 – Right Boy-GB e Jaunty-GB por Le Haar-FR) – que chegou e venceu 10 provas com a farda do haras, inclusive o tradicional Clássico Primavera, obtendo ainda o 3º lugar no GP Paraná de 1975 para Arnaldo e Manacor, com o treinamento de Ney Romanó e direção de Luiz Veríssimo.

           RIGHT JANE

O Haras São Joaquim, já com um plantel de várias éguas importadas (a maioria argentina), com o nascimento da geração de 1972 abriu mais um alfabeto, criando outros bons animais como ARARAQUARA (5 vitórias, 3º Clássico Primavera), ANIVERS (6 vitórias – clássico no Tarumã), ASSIS (4 vitórias – clássico em Cidade Jardim) e ACARAÚ (5 vitórias – clássico no Tarumã).  Porém, a partir da geração 1973 começou a nominar todos os seus produtos com o primeiro nome “GAY” e no segundo nome a inicial seguia o alfabeto. Iniciando em 1973 com “GAY B”… até 1983, foram mais de 300 potros criados pelo haras com inúmeros ganhadores.

Com uma alta média de vitórias por animal corrido, rapidamente lembramos de GAY CLEMENTINE (8 vitórias, 1º GP ABCCC G1, 1º Clássico Erasmo de Assumpção LR, 1º GP Edgar Alencar Guimarães (TR), 2º GP Major Suckow G1. Também de GAY IMPASSE (10 vitórias – 1º LR), GAY GANGSTER (9 vitórias – invicto), GAY CENTURY (5 vitórias – 1º LR, 2º G2), GAY BALOON (clássico), GAY ELKE (clássica), GAY BUNNIE (10 vitórias), GAY GALAHAD (9 vitórias), GAY GALLOP (4 vitórias – invicto), GAY HAWK (6 vitórias – 2º GP Velocidade do PR), GAY INSTANT (clássico), entre outros.

Alguns produtos do Haras São Joaquim tiveram destaque nas pencas, como a ligeiríssima GAY LYNN (de propriedade do Haras Valente – que com o treinamento de Márcio Ferreira Gusso e pilotagem de Valdeci Matos – foi vencedora, no Tarumã, do famoso desafio de velocidade em 333 metros, contra Karrito); GAY DOC (de propriedade de Francisco Farias de Souza – que venceu penca em Vacaria e Palmas) e GAY DIAMOND (de propriedade de João Carlindo – que foi finalista do Turfe Gaúcho).

Muita festa após a vitória de GAY LYNN no desafio

Por falar em João Carlindo, é claro que o Haras São Joaquim foi mais um dos haras dos quais ele adquiriu animais, pois se dava muito bem com Dr. Paulo Camargo e com o Dr. Duboc. Lembro de GAY BANNER, uma filha de Hiberniam Blues-GB, que em sociedade com Dr. Paulo Camargo, foi vencedora no TR, GV e CJ; GAY IDEA, uma pequenina de 380 quilos, filha de Bustler-GB, venceu duas provas; o já citado GAY DIAMOND, um belo castanho filho Quicksilver que foi finalista do Turfe Gaúcho, mas não teve sorte nos hipódromos, pois em apenas seis corridas fez segundo para Feu de Paille (G1), segundo para Desert Oeste (G1), e segundo em outras três oportunidades, chegando à frente de Orient Express (G1), Angriff (G1) e Molhado (G2) – “só pegou páreos duros”. E antes destes, a ganhadora, filha de Bonjardim, XIRITUBA que contribuiu para a vitória de João Carlindo nas estatísticas de proprietários do Cristal.

 XIRITUBA (O.Batista) criação do São Joaquim.

Em 1984 o Haras São Joaquim parou de criar e foi vendido ao empresário Matias Machline, que lá instalou uma das seções do famoso e vitorioso Haras Rosa do Sul. Mas as lembranças do Haras São Joaquim, do Dr. Paulo Affonso Alves de Camargo e do Dr. Heliodoro Antônio de Oliveira Duboc permanecem vivas no turfe paranaense.

PAULO AFFONSO ALVES DE CAMARGO, nascido em 1915, era filho de Affonso Alves de Camargo (Governador do Paraná entre 1916 e 1920). Formou-se em Medicina pela UFPR e foi eleito deputado estadual em 1954, reeleito em 1958 e em 1962. Participou das Comissões de Obras Públicas; Transportes e Comunicações; Terras, Colonização e Imigração; Polícia; Saúde Pública; Agricultura, Indústria e Comércio; e Controle de Contas. No Jockey Club do Paraná foi vice-presidente na gestão do Dr. Alô Ticoulat Guimarães (1956-1958). Tinha um grupo de cocheiras próprio na vila hípica do Tarumã e seus animais ficaram aos cuidados de vários treinadores como João Loezer, Ney Romanó, Alberto Nabosne, Elidio Pereira Gusso, Elídio Pierre Gusso, Salvador Antunuccio, entre outros.

 

HELIODORO ANTÔNIO DE OLIVEIRA DUBOC nasceu na cidade de Valença (RJ) em 1911. Cursou medicina veterinária na Escola Superior do Exército no Rio de Janeiro e seguiu a carreira militar. Como Major do Exército trabalhou no Rio Grande do Sul e veio para o Paraná no início dos anos 1950, chegando a trabalhar no Hipódromo do Guabirotuba. Reformou-se como Coronel em 1962 passando a dedicar-se integralmente à clínica e cirurgia de equinos no Paraná e em São Paulo. Atuou com excelência nas áreas de clínica, reprodução equina e também na Agencia do Stud Book Brasileiro. Renomado médico veterinário elaborou projetos para importantes haras, supervisionando também grandes coudelarias. Parou de atuar profissionalmente no final dos anos 1980 retornando a sua cidade natal.

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