
O criador DIVONSIR HAY já convivia com o turfe desde cedo, pois é primo do eterno e lendário jóquei – o “Homem do Violino” – Luiz Rigoni, talvez o maior e mais conhecido nome do turfe brasileiro em todos os tempos.
Turfista de “carteirinha” do Hipódromo do Tarumã, Divonsir Hay era proprietário de alguns cavalos que ficavam alojados com o treinador Dionísio Tieppo. Posteriormente manteve grande parceria com os treinadores Elídio Pierre Gusso e Carlos Pereira Gusso.
Divonsir fundou o HARAS NOVE DE MARÇO, localizado em Campo Largo da Roseira, Região Metropolitana de Curitiba. Porém, em 1990, mudou o nome do haras para HARAS SÃO JOSÉ DOS PINHAIS.
O Haras iniciou com aproximadamente dez reprodutoras alojadas em sua área. Criava pouco, mas sempre com grande qualidade. Após algum tempo, Divonsir construiu uma belíssima residência no haras e se mudou para lá, onde de sua janela podia observar uma linda paisagem com lagos, cocheiras, piquetes e seus animais. Assim, diariamente, estava próximo às reprodutoras e suas crias.

Divonsir Hay
Um dos animais “do coração” de Divonsir Hay foi DIDICO (1979 – Sillage-FR e Marlina-URU por Auguri-URU) – um belíssimo tordilho clássico – “ligeiro e duro” – de propriedade de Loreta Previdi Hay – esposa de Divonsir Hay – e que obteve 15 vitórias em sua campanha entre Tarumã e Cidade Jardim (uma das vitórias aconteceu em um dia nove de março). DIDICO foi um animal muito querido e importante para a família Hay, tanto que foi levado para a reprodução pelos seus responsáveis; porém, infelizmente desaparecido antes de iniciar suas novas atividades. Talvez com DIDICO iniciou-se uma predileção de Divonsir Hay pelos animais tordilhos. Em sua criação, procurou, por diversas vezes, cruzamentos que propiciassem anualmente o nascimento de pelo menos um potro tordilho.

DIDICO (G.Brito) recepcionado pela proprietária Loreta e seu filho Divonsir Jr.
Em sua primeira geração (1983) criou o castanho ALA-SHAN (Riadhis e Jours de France por Selim-FR) – clássico de Grupo 3 – que venceu 14 corridas entre Tarumã e Cidade Jardim; também a tordilha ALABAMA-HAY (Sirius-GB e Galeaza por Pinhal) com 2 vitórias em 3 atuações; os bons ganhadores ARIKIMBO (Keep the Promise-USA e Get Her por Negroni) AGUIA DE HAY (Debique e Blessed Joy por Oak Ridge-GB) e ASA DE PRATA (Tajante-ARG e Zangsville por Bonjardim).
Em 1985 trouxe para o haras o reprodutor argentino UJIER (Good Time-ARG e Única-ARG por Dark Bird-ARG) – pai do ganhador do GP São Paulo G1 de 1977 – MOGAMBO. Porém cobriu muito pouco, pois desapareceu precocemente. Em 1987, também como co-proprietário dos reprodutores ATENTO (Kuryakin-ARG e A Tempo-URU por Aurekko-URU) que produziu para o Haras Nove de Março FAYLAKHAN (4 vitórias – clássico na Gávea) e ZUCHET (St.Chad-GB e Fides por Alberigo-ITY) pai do ganhador FLEETWOOD MACK.
Nas gerações subsequentes e seguindo o alfabeto, criou bons animais como BLABB (Decedez – 6 vitórias – clássica no Tarumã); CANUANA (Ujier-ARG – 7 vitórias); DIYALA (Ujier-ARG – 4 vitórias na Gávea); ESCALERO (Xemiur – 11 vitórias); HAMADHAN (Homard – 4 vitórias), entre outros.
Em 1990, já sob o nome de São José dos Pinhais, o haras criou o bom cavalo clássico (LR) – HOOVER (Effervescing-USA e Gestão por Yakarto-ARG) – ganhador clássico no Tarumã com 14 vitórias, o qual “Seu Divon” me deu o privilégio de treiná-lo em certo período.

HOOVER (L.Duarte)
Outro dos bons animais que criou, depois da mudança de nome do haras, foi o castanho escuro REIZINHO (2000 – Fahim-GB e Turquesa-CAN por Proper Reality-USA) que venceu o GP Piratininga G2 e o GP Presidente Antônio Corrêa Barbosa G2 (em recorde), obtendo 2º no GP Latinoamericano G1 (Chile); 2º no GP Hipódromo do Chile G1 (Chile); 2º GP Paraná G1; 3º GP Linneo de Paula Machado G2.
Mais um excelente cavalo criado pelo Haras São José dos Pinhais foi BEDUINO DO BRASIL (2009 – Impression-ARG e Delinquent Bird por Vuarnet) – tordilho como seu pai venceu nove corridas: 1º GP Bento Gonçalves G1; 1º GP Linneo de Paula Machado G2; 1º GP Protetora do Turfe G3; 1º Clássico Criadores LR; 2º GP Paraná G1 (duas vezes); 2º GP Piratininga G2. Foi o representante brasileiro no GP Latinoamericano G1 – corrido no Chile em 2013 – chegando na sexta colocação. Divonsir Hay o levou para a reprodução, sendo que estava com total razão nisso, visto que BEDUÍNO DO BRASIL, com apenas seis produtos registrados, produziu dois ganhadores de Grupo.

BEDUINO DO BRASIL
Mas, um dos grandes cavalos criados por Divonsir Hay e que, é claro, meu coração bate mais forte, foi KING OF IRON, de propriedade de meu pai João Carlindo.
KING OF IRON, nascido em 1983, filho de Baligh-IRE e Tropical Girl por Mauser) obteve 8 vitórias em sua campanha – 1º GP Consagração G1 – 3000 metros; 1º GP Sociedade de Criadores e Proprietários de Cavalos de Corrida de São Paulo G2 – 2.400 metros; 1º GP João Sampaio G3 – 3.000 metros; 1º GP Taça de Ouro G2 – 3.218 metros; 3º GP Paraná G1; 4º GP Brasil G1; 5º GP Copa ANPC Matias Machline G1, entre outros. – Rei da Raia Paulista em 1997, foi considerado o melhor fundista de São Paulo naquele ano.
A história da compra do KING OF IRON merece uma nota. Meu pai foi ao haras de Divonsir Hay ver uma potranca recriada pelo agora Haras São José dos Pinhais, chamada ANAUILA (ele já tinha um cliente para ela), filha de Grandote e Innamorata por Upset – uma irmã própria do ganhador de Grupo 1 de 11 vitórias – NICK DE MESTRE; que quando potrinho, meu pai o vendeu ao Dr. Waldir Prudente de Toledo.
Divonsir, com o seu inseparável cachimbo, e meu pai, com o famoso “olho clínico”, ao lado do piquete da potranca, tentavam acertar o preço da ANAUILA, quando Divonsir, em determinado ponto da negociação, ofereceu também um potro pequeno, fino e nervoso que corria de um lado para outro em um piquete próximo de onde estavam. E, para que o negócio pudesse sair, Divonsir disse que meu pai tinha que comprar os dois. Assim para levar a irmã própria do NICK DE MESTRE para casa, meu pai levou também o outro. Foi ao haras do Divonsir para buscar a irmã de um craque e acabou levando um outro craque. E foi assim que aquele potrinho pequeno, mas que agradou aos olhos de meu pai, chamado KING OF IRON veio parar em nossas cocheiras. Coisas do turfe!
E sobre o KING OF IRON, eu posso falar com propriedade: Em campanha, este cavalo criado por Divonsir Hay corria muito. Com apenas 420 quilos continuou muito nervoso e agitado no hipódromo. Durante os trabalhos e as corridas, os jóqueis não conseguiam dominá-lo, procurando sempre disparar. Mesmo assim, conseguiu grandes vitórias dos 1300 aos 3218 metros, e várias colocações de grupo – encerrando sua campanha devido a uma fratura no boleto. Se tivesse sido privilegiado com um físico mais forte e fosse mais manso para correr, seria um fenômeno. Exemplo disso foi o fato de que, um dia antes de disputar o GP Brasil G1, disparou duas voltas na pista de areia da Gávea. E, no dia seguinte, em percurso “desastroso”, com 61 quilos no lombo, chegou no quarto lugar entre 20 competidores, apenas 1 corpo e meio do ganhador Quari Bravo, perdendo o segundo e o terceiro lugar na fotografia numa prova de 20 competidores. KING OF IRON corria de verdade!
Em 1998 foi indicado pelo Jockey Club de São Paulo para correr o GP Latino-americano G1, na Argentina, mas por contratempos físicos não pode viajar.

Carlos Carlindo e Divonsir Hay seguram KING OF IRON – 1996
Compramos outros animais de Divonsir Hay, entre eles, duas filhas de Cacao-ARG e boas ganhadoras (OSHEETAN e OVER HOCKNHEIM).
Há alguns anos Divonsir negociou a área de seu haras, passando a criar seus animais como pensionista; e os apresentando em seu nome físico como proprietário. Nesta nova fase criou dois ótimos animais:
CALED (2017 – Beduíno do Brasil e Vesper of Love por Crimson Tide-IRE) – com seis vitórias – 1º GP Júlio Mesquita-G3; 1º Derby Paranaense-LR; 2º GP Paraná-G3; 3º GP São Paulo G1; 3º GP Derby Paulista G1, entre outras boas atuações.

CALED vencendo fácil o Derby do Paraná (foto: Felipe Neves)
E DEUSA (2018 – Beduíno do Brasil e Badawi por Tiger Heart-USA) que venceu o GP OSAF G1 e a Copa Japão Turfe G3, obtendo 2º no GP Roberto e Nelson Seabra G1; 3º no GP João Cecílio Ferraz G1; 3º GP Prefeito Fábio da Silva Prado G2; 4º GP Mariano Procópio G3. Mais uma craque tordilha para o Divonsir Hay.

DEUSA vencendo a Copa Japão Turfe 2022 (foto: Porfirio Menezes)
Em todo o turfista do Paraná, o desejo de vencer um GP Paraná é latente; e Divonsir Hay já passou bem perto em algumas oportunidades com os animais criados por ele: KING OF IRON (3º em 1996), REIZINHO (2º em 2003), BEDUÍNO DO BRASIL (2º em 2012 e 2º em 2013) e CALED (2º em 2021).
DIVONSIR HAY sempre foi grande colaborador do Jockey Club do Paraná, pois já atuou como Diretor de Hipódromo, Diretor da Vila Hípica, Comissário de Corridas, etc., em várias oportunidades. Na Associação de Criadores e Proprietários de Cavalos de Corrida também foi seu diretor participando ativamente dos rumos da entidade.
Muitas horas agradáveis passei no antigo Haras Nove de Março, rebatizado de São José dos Pinhais, pois praticamente todos os sábados, Divonsir nos brindava com um belo churrasco em seu haras. Normalmente os assados de coelhos, os quais criava em quantidade considerável, eram sempre oferecidos. Após o almoço – uma caminhada pelo haras colhendo e degustando deliciosas frutas enquanto conversávamos sobre o turfe, – finalizava o ótimo programa.
Ficam as lembranças dos bons momentos passados naquele belo haras de Divonsir Hay, que ora homenageamos, com o desejo que continue sempre criando grandes craques – e para a sua alegria, preferencialmente que sejam tordilhos!
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